domingo, 10 de julho de 2016

Endecha

Segundo Houaiss, é uma “composição poética de assunto melancólico, formado de estâncias de quatro versos de cinco sílabas”.

O termo endecha é derivado do latim indicta (declaração das virtudes dos mortos) designa a composição poética que remota à Grécia antiga, variante da elegia, com a qual se cultivavam as ladainhas ou cantos fúnebres. A diferença entre elegia e endecha é que a segunda é um poema mais curto.

Em Portugal, a endecha foi cultivada do séc.XVI ao séc.XVIII e não apresentava o tema fúnebre originário.

Para escrever uma endecha o essencial é obedecer às normas:

estrofes: quartetos;

métrica: versos de cinco ou seis sílabas;

 rima: esquemas ABCB, ou ABAB ou ABBA;

tema: composição triste e melancólica;

título: obrigatório.

Usa-se também a palavra endechas (no plural) porque o poema é constituído por mais de uma estrofe.

Referência






Sinto falta

Ah! o teu adeus...
Ecoou em mim...
Tão tristonho o fim
Dos carinhos teus.

Como sinto falta
Da sabedoria.
A paz transmitia
Sempre em voz alta.




Hoje só agruras
Em minha pobre alma...
Nem o eco acalma
Do lume e das juras.

A saudade dói
Como um punhal
Que goteja o mal,
E a perda corrói.

A dama de véu
Levou-te sem pena.
Fim de vida amena.
Foste para o céu.

Lágrimas verti,
Perdi a alegria,
Quando te veria?
Amarguei sem ti.

Ainda te vejo.
Quieto me escutas
Traçar minhas lutas,
Revelar desejos...

Só o que me resta
É a firme espera.
Um desejo impera:
Poder ver-te em festa.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem:reencontros-dinamc.blogspot.com

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