quinta-feira, 31 de julho de 2014

Para escrever haicais I




1. Estrutura


      O haicai é um poema sintético, formado de três versos, com 17 sílabas, assim distribuídas:


ü O primeiro verso tem 5 sílabas;

ü O segundo verso tem 7 sílabas;

ü O terceiro verso tem 5 sílabas.

Dispensa rima e título:





Principia o dia.

No horizonte alaranjado,

sinal de verão.


(Mardilê Friedrich Fabre)



     Não é necessário iniciar todos os versos com letra maiúscula, salvo quando a pontuação assim o exigir.

     Usam-se dois segmentos frasais, separados por ponto ou travessão.

      A construção da frase deve ser simples com palavras comuns, espontâneas e sem inversões

      A redação de haicais requer observação e prática, por isso, deve-se observar a natureza, estudar e escrever.


Árvores de outono

olham as águas do rio.

Acordam do sono.


(Mardilê Friedrich Fabre)


2. Contagem das sílabas poéticas:


      A contagem de sílabas poéticas difere da das sílabas gramaticais. Veja a explicação completa em:



Em/ter/ ver/des/ fo/lhas,

so/bres/sai/lin/da/ bro/mé/lia.

Na/tu/re/za em/ cor./


(Mardilê Friedrich Fabre)


3. Poesia da natureza


     O haicai retrata um momento da natureza, cuja menção é feita por meio de um kigo, isto é, um termo-de-estação. No Brasil, apesar de não termos tão demarcadas as quatro estações como em outros países, existe um ciclo anual caracterizado por elas. Os kigos são palavras-chaves ou expressões que indicam as estações do ano. Por exemplo:


  • As estações do ano (primavera, verão, outono e inverno); 
  • Os feriados em geral (Finados, Carnaval, Natal, Dia do Soldado);
  • Os meses do ano (janeiro, abril, setembro e novembro);
  • A fauna e flora (colibri e margarida);
  • Elementos de geografia (rios e serras);
  • Primavera: alegria, renovação, amor, flores, juventude;
  • Verão: vivacidade, liberdade, calor, maturidade;
  • Outono: melancolia, decadência, nostalgia, colheita, senectude, amarelo;
  • Inverno: tranquilidade, reclusão, morte, repouso, frio, neve.


 Verão sem igual.

Na tarde silenciosa,

ouve-se o pardal.


(Mardilê Friedrich Fabre)


4. Poesia do presente


      O haicai sempre exprime um momento vivenciado no presente, por isso se evita o gerúndio que é ação continuada. Uma vez que tem como tema a natureza, fala de coisas concretas. Tratando sobre o presente, refere-se à temporalidade e ao efêmero, que são sinais do mundo terreno. O haicai expressa a transitoriedade, o que é salientado pelo emprego dos termos-de-estação ou kigos.


Verdes sentinelas,

palmeiras guardam o lago.

Águas sossegadas


(Mardilê Friedrich Fabre)



Referências







Mardilê Friedrich Fabre


sexta-feira, 25 de julho de 2014

Indriso: teoria e prática


Poema criado pelo poeta espanhol Isidro Iturat, que atualmente reside em S Paulo (Brasil). Este é um poema derivado do soneto. O poeta publicou seu primeiro indriso em 2001. 

O poema é composto por dois tercetos e dois monósticos (estrofes de um verso), podendo haver variaçõe na disposição das estrofes:

1 monóstico, 1 terceto, 1 monóstico, 1 terceto;

1 terceto, 1 monóstico, 1 terceto, 1 monóstico;

2 monósticos, 2 tercetos;

1 terceto, 2 monósticos, 1 terceto;

1 monástico, 2 tercetos, 1 monóstico.

Admite qualquer tipo de rima e de métrica e versos brancos e soltos e qualquer número de sílabas. O título é obrigatório.


Referência:




Fugir da monotonia 

Todos os dias a monotonia
Alojada em mim. Desertar...
Depois exigir alforria. 

Quebrar os grilhões dos costumes
Da insipidez. Revisar...
Rejeitar choros e queixumes. 

Descobrir sorrisos nas flores. 

Introjetar outros valores.


Liberdade

Navego em mares desconhecidos,
Desbravo sentimentos evadidos,
Venço monstros hostis e silenciosos.


Solta, ascendo do negro precipício.

Liberta, voo nas asas inconsequentes

De devaneios inconscientes.
Descubro meus caminhos misteriosos.


Livre por fim, irrompo do suplício.


Mardilê Friedrich Fabre
Imagens: Google



quarta-feira, 23 de julho de 2014

Importa saber...




Prosa é a expressão natural da linguagem escrita ou falada. Não está sujeita a ritmo nem à rima, nem ao verso, nem a número de sílabas. É mais utilizada na linguagem do quotidiano e quando se quer expressar o pensamento racional. Prosa é o nome que se dá à forma de um texto escrito em parágrafos.

Prosa poética também chamada poesia em prosa é a poesia escrita em prosa, isto é, sem as características do poema: métrica, ritmo, rima e outros elementos sonoros. Um texto escrito em forma de prosa pode ser considerado “poesia", se sua função for poética, ou seja, se exprimir emoções e sentimentos.

A poesia está ligada ao gênero lírico, assim chamado porque na Antiguidade as composições poéticas eram apresentadas acompanhadas do som de uma lira - instrumento musical de cordas muito popular na época.

A palavra poesia etimologicamente vem do grego poésis, que significa: produzir, fazer, criar.

Segundo o dicionário Houaiss (eletrônico), poesia é

a) arte de compor ou escrever versos;
b) composição em versos (livres e/ou providos de rima) cujo conteúdo apresenta uma visão emocional e/ou conceitual na abordagem de idéias, estados de alma, sentimentos, impressões subjetivas etc., quase sempre expressos por associações imagéticas;
c) composição poética de pequena extensão;
d) arte dos versos característica de um poeta, de um povo, de uma época;
e) arte de excitar a alma com uma visão do mundo, por meio das melhores palavras em sua melhor ordem;
f) poder criativo; inspiração;
g) o que desperta o sentimento do belo;
h) aquilo que há de elevado ou comovente nas pessoas ou nas coisas.

Reproduzimos aqui conceitos dados por poetas e críticos literários: 

a)Que é Poesia?
uma ilha
cercada de palavras
por todos os lados.(Cassiano Ricardo (Brasileiro 1895-1974).

b) A poesia é uma arte da linguagem, certas combinações de palavras podem produzir uma emoção que outras não produzem, e que denominamos poética. – Paul Valery (Francês 1871-1945).

c) Descobri com a minha filha de nove anos que a poesia é a descoberta das coisas que nunca vi. – Oswald de Andrade. (Brasileiro – 1890-1954).


d) Poesia é uma ou duas palavras e por trás uma imensa paisagem. – Ana Cristina César (Brasileira – 1952-1983).


e) Poesia são palavras olhando para si mesmas -Cecília Meireles (Brasileira 1901-1964).

f) A poesia está guardada nas palavras. – Manoel de Barros (Brasileiro 1916...).


g) Poesia é a infância reencontrada. – Charles Baudelaire (Francês – 1821-1867).


h) Poesia se faz com palavras, não com ideias. – Arthur Rimbaud (Francês – 1854-1891).


i)A poesia não é uma liberação da emoção, mas uma fuga da emoção; não é a expressão da personalidade, mas uma fuga da personalidade. Naturalmente, porém, apenas aqueles que têm personalidade e emoções sabem o que significa querer escapar dessas coisas. - T.S. Elliot (Nasceu EEUU, mas optou por tornar-se britânico – prêmio Nobel de Literatura de 1948 – 1888-1965).

Poema vem do gr. poiema,atos ='o que se faz, obra, manual; criação do espírito, invenção´. Em geral, usamos a palavra “poesia” como sinônimo de “poema”, mas as duas palavras não significam mesma coisa.

Segundo o dicionário Houaiss (eletrônico):

a)obra de poesia em verso;
b)composição poética em que há enredo e ação; epopeia.

Conceitos de poetas e críticos

a)Poema é a obra em verso em que há poesia.- Marcel Franco (Brasileiro – 1985...).

b)A criança que brinca e o poeta que faz um poema estão ambos na mesma idade mágica. – Mario Quintana (Brasileiro – 1906 – 1994).


c)O poema é antes de tudo um inutensílio. – Manoel de Barros (Brasileiro - (1916...).


d)O poema é um ser de linguagem, o poeta faz linguagem, fazendo poema. Está sempre criando e recriando a linguagem... Está sempre criando o mundo... A linguagem é um ser vivo... É como uma pessoa que diz sempre que quer ser compreendida. Mas o que ela quer mesmo é ser amada. – Décio Pignatari (Brasileiro – 1927 – 2012).


e)Não há poema em si, mas em mim ou em ti. – Otávio Paz (Mexicano 1914 – 1998) prêmio Nobel de Literatura de 1990).

f)Os Poemas

Os poemas são como pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti. Mário Quintana (Brasileiro – 1906 – 1994).

Concluindo: Poesia é a transmissão de sentimentos, emoções, sensações, impressões, usando as palavras de modo criativo e inusitado (insólito). Poesia é o imaterial.
Poema é transmissão da poesia em verso. É concreto. Depois de ser criado, ele passa a existir por si mesmo. É forma. É o texto formado por versos.

Poemas de forma fixa são os que seguem regras pré-estabelecidas, quanto ao ritmo, à estrofação, ao número de sílabas nos versos, à rima, como o soneto, o haicai, o rondó, o rondel, o pantum, a trova, o triolé, o gazal, a esparsa, o ciquain, o cadae, o fibhaiku, o indriso, etc..

Lirismo é o transbordar dos sentimentos, emoções e estados de alma subjetivos do autor.


Eu lírico é “a voz do poema, não significa a voz do escritor. É um sentimento que vem do texto, e que não foi vivido necessariamente pelo autor. É um “eu” poético que se diferencia do “eu” real” (Fabrício Carpinejar). 


Referências 

ALMEIDA, Silas Leite de. Curso prático de português. Belo Horizonte: Vigília, 1971.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 46. ed. São Paulo: Nacional, 2005.
http://euvacagorda.files.wordpress.com/2012/01/1238452_46868173.jpg
http://www.significados.com.br/poesia/
http://www.ufrgs.br/proin/versao_2/trevisan/index14.html


Mardilê Friedrich Fabre
Respeite os direitos autorais.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Elementos do Poema: Rima


Rima é recurso usado nos poemas para dar sonoridade. Consiste em colocar palavras com sons iguais a partir da última vogal tônica no meio (rima interna) ou no fim (rima final) do verso. Aqui vamos deter-nos nas classificações que mais interessam para a composição de poemas.
Quanto à disposição, as rimas classificam-se em:

Emparelhadas ou paralelas (1º com 2º, 3º com 4º - esquema: AABB):
Partiste sem explicação.
Confusa, procurei-te em vão.
A madrugada foi companheira
Nas horas de dor derradeira.
 (Mardilê Friedrich Fabre)

Alternadas ou cruzadas (1º com 3 º, 2º com 4º - esquema: ABAB):


Com mãos trêmulas refaço caminhos,
Torno a escrever a história em poesia.
De olhos cerrados, sinto os teus carinhos,
Ao abri-los lamento a alma vazia.
(Mardilê Friedrich Fabre)

Opostas (1º com 4º, 2º com 3º - esquema: ABBA):
Levar-te-ei por caminhos de luz,
Meu coração enxugará teus prantos,
Viajaremos por céus de encantos,
Aliviarei o peso da tua cruz.
(Mardilê Friedrich Fabre)

Encadeadas (a palavra final do verso rima com uma palavra do meio do verso seguinte):

Quando alta noite n'amplidão flutua
Pálida a lua com fatal palor,
Não sabes, virgem, que eu te suspiro
E que deliro a suspirar de amor.
 (Castro Alves)

Misturadas (não possuem posição regular):

De uma, eu sei, entretanto,
Que cheguei a estimar
Por ser tão desgraçada!
Tive-a hospedada a um canto
Do pequeno jardim;
Era toda riscada
De um traço cor de mar
E um traço carmesim.
(Alberto de Oliveira)

A partir do início do séc. XX, os poetas, numa rebeldia, porque não queriam mais a poesia com esta forma rígida, criaram os versos sem rima, que são chamados brancos.

Quanto à natureza, as rimas classificam-se em:

Rimas pobres: quando as palavras que rimam pertencem à mesma classe gramatical (substantivo com substantivo, por exemplo).

Rimas ricas: quando as palavras que rimam pertencem a classes gramaticais diferentes (um substantivo e um adjetivo, por exemplo).

Examinemos o quarteto abaixo:

Um mestre, embora muito sonhador,
Precisava esconder sua afeição...
Na Idade Média, uma imortal paixão
uniu uma aluna e um professor.
(Mardilê Friedrich Fabre)

A palavra paixão, que é um substantivo, rima com afeição, que também é um substantivo. Temos rima pobre.

A palavra professor, que é um substantivo, rima com sonhador, que é um adjetivo. Temos rima rica.

Rimas preciosas: quando as palavras que rimam apresentam estruturas gramaticais diferentes.
Por exemplo: estrela com vê-la.

Quanto à fonética, as rimas classificam-se em:

Perfeitas: quando todos os fonemas (sons das letras), a partir das últimas vogais tônicas dos versos são iguais. Exemplo: vida e perdida.

Imperfeitas: quando os fonemas são semelhantes a partir das últimas vogais tônicas dos versos. Exemplo: Deus e céus.

Consoantes: quando todos os fonemas são iguais a partir da última vogal tônica. Exemplo: fantasia e arredia.

Toantes (assonantes): quando somente as últimas vogais tônicas dos versos são iguais. Exemplo: hora e bola. 


Referências

ALMEIDA, Silas Leite de. Curso prático de português. Belo Horizonte: Vigília, 1971.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 46. ed. São Paulo: Nacional, 2005.
http://www.ufrgs.br/proin/versao_2/goldstein/index13.html Acesso em: 1 out. 2006.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rima Acesso em: 1 out 2006. http://www.casadacultura.org/d/boletim/2005/BIS2005_jun29_conveniado.htm Acesso em: 1 out 2006.
http://www.brazilianportugues.com/index.php?idcanal=341

Acesso em: 14 mar. 2010.

Mardilê Friedrich Fabre
Respeite os direitos autorais.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Elementos do Poema: Estrofe


 Estrofe é um grupo de versos de um poema. Existem estrofes de 1 a 10 versos. No poema, as estrofes são separadas por uma linha em branco. No poema livre criam-se poemas com estrofes de mais de dez versos.


Monóstico – estrofe de um verso.

Flutuávamos em comum...
(Mardilê Friedrich Fabre

Dístico - estrofe de 2 versos.

Foi um sentimento profundo,
Além da vida neste mundo.
(Mardilê Friedrich Fabre)

Terceto - estrofe de 3 versos.

Diante de uma vitrina,
Olhos marejados d´água,
Assim vi doce menina.
(Mardilê Friedrich Fabre)

Quarteto (quadra) - estrofe de 4 versos.

Na Idade Média, uma imortal paixão
uniu uma aluna e um professor.
Uma mulher não podia, então,
aos estudos voltar-se com fervor.

(Mardilê Friedrich Fabre)

Quintilha - estrofe de 5 versos.

Na realidade, triste sina,

No palco vão representar
Da vida essa mesma rotina

Que a arte não pode mudar.
Tímida espera a bailarina.

(Mardilê Friedrich Fabre)

Sextilha - estrofe de 6 versos.

Procuro-te entre as estrelas.
Meus olhos passam sem vê-las.
Teu olhar cintila vibrante.
Teu sorriso estimulante
Chove em minh´alma candura,
Afasta de mim a agrura.
(Mardilê Friedrich Fabre)

Septilha – estrofe de sete versos.

À noite, enquanto o sono não vem,
A mente passeia pelo tempo,
Acompanha a lua a vagar,
Alma suspira poesias,
Aceita a magia da vida,
Afundo a tristeza nas lembranças,
Adormeço ao embalo das quimeras.
(Mardilê Friedrich Fabre)

Oitava - estrofe com 8 versos.

Invade-me doce tristeza,
Saudade do céu luminoso
Dos dias de encanto e beleza.
Invade-me doce tristeza.
Lembro os momentos de pureza
Do nosso encontro carinhoso.
Invade-me doce tristeza,
Saudade do céu luminoso.
(Mardilê Friedrich Fabre)

Estrofe de nove versos – como o nome diz é a estrofe com nove versos. Existe o termo nona, mas quase não é usado.

Alguém te feriu o coração?
Olha a vida que escoa no tempo.
Ela não tem medida,
Mas segue seu curso.
cores quando o sol brilha,
No jardim sempre nascem flores.
As lágrimas secam,
O sofrimento termina,
E nas asas da bondade vem a paz.
(Mardilê Friedrich Fabre)

Décima - estrofe com 10 versos.

Chega
Setembro.
Vem florido
E perfumado.
A vida transforma-se,
O amor floresce em tudo.
Melodiosas vozes se ouvem,
O sol pinta de ouro as calçadas,
Pássaros regorjeiam nas árvores,
E os namorados beijam-se nas praças.
(Mardilê Friedrich Fabre)


Referências

ALMEIDA, Silas Leite de. Curso prático de português. Belo Horizonte: Vigília, 1971.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 46. ed. São Paulo: Nacional, 2005.
http://www.ufrgs.br/proin/versao_2/goldstein/index13.html Acesso em: 1 out. 2006.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rima Acesso em: 1 out 2006.
http://www.recantodasletras.com.br/autores/mardile Acesso em: 1 out. 2006.


Mardilê Friedrich Fabre
Respeite os direitos autorais.